Saturday, August 20, 2011

E AGORA IBAMA?

O caracol em primeiro plano é um Orthalicus prototypus Pilsbry, 1899.

*Mauricio Aquino é Médico Veterinário e Mestrando do curso de Ciências da Saúde da UFAL

" [...] Para se avaliar a seriedade da situação, se não fosse pelo geógrafo e conceituado malacologista Ignacio Agudo eu teria cometido o grave erro de publicar neste informativo, a foto acima: um Orthalicus prototypus Pilsbry, 1899, em primeiro plano, uma espécie florestal arborícola nativa, que coletei este ano em Alagoas, no município de Capela, interior do estado, como se fosse um Achatina, devido a sua grande semelhança.
Esta espécie rara, muito pouco conhecida da ciência, é representante da Família Bulimulidae e de nada adianta eu me justificar, dizendo que os coletei a noite, o que é um fato, pois pude conviver com ele por vários dias, antes de saber da sua real identidade. Agora imagine, se eu que trabalho, intensivamente com o Achatina (Lissachatina) fulica me confundi, o que esperar da população em geral que confunde caramujo com caracol e lesma com caramujo?
Contemporaneamente, maioria dos gastrópodes nativos gigantes das famílias MEGALOBULIMIDAE e STROPHOCHEILIDAE, (envolvendo 5 gêneros e pelo menos umas 82 espécies) são os caracóis nativos mais parecidos, fenotipicamente, com o exótico invasor africano.
São espécies florestais na sua maioria pertencentes à Família BULIMULIDAE e Subfamília ORTHALICINAE somando na América do Sul um total, aproximado, de 21 formas reconhecidas, incluídas nos gêneros “Orthalicus” (10 espécies), “Sultana” (2 espécies) e “Corona” (9 espécies).
O meu equívoco, hilário até, levanta, novamente, uma séria preocupação: a devastação e a extinção indiscriminada de nossa malacofauna.


Fotos tomadas por Eric McDonald, cortesía de David Robinson. Orthalicus ponderosus. Praticamente impossível diferenciar de um Achatina fulica.

Se eu tivesse que apontar entre os prejuízos causados pelo caracol africano, que pode ser transformado num aliado da conservação se devidamente aproveitado; ou a vaidade de alguns poucos pesquisadores que, por trás de um estereótipo heróico, continuam defendendo sua “erradicação” em prol da conservação na natureza e da saúde da população, (como se isso fosse possível); ou ainda a imprensa, que na ânsia de audiência, divulga notícias potencialmente chocantes apenas para aumentar a audiência, levando mais preocupações para uma população já tão sofrida eu, sem dúvida alguma, apontaria a imprensa como a pior das ameaças.
Felizmente, essa preocupação não é apenas minha; inúmeros pesquisadores vocacionados, já tentaram alertar para esse problema; timidamente é verdade. Mas o problema é que, falar com propriedade sobre um assunto polêmico, especialmente, quando se é minoria, normalmente atrai críticas e perseguições.
Eu tenho recebido críticas sobre minhas propostas; até de louco já fui classificado, mas prefiro assim, pois estou em paz com a minha consciência, defendendo o desenvolvimento de metodologias para aproveitamento racional da espécie invasora para desta forma, controlá-la, eficientemente, na natureza. Mas o que me consola é saber que toda a idéia nova encontra oposição. Nenhuma é implantada sem discussões e debates acirrados e, como demonstra a história, algumas vezes, até alguns mártires. Mas a resistência as novas idéias é proporcional a sua importância, porque, quanto maior ela é, tanto mais numerosos serão os interesses que fere.
Mas me pergunto, frequentemente, onde anda o bom senso, a ética profissional e a humildade de pesquisadores que não aceitam discutir pontos de vista conflitantes em pleno século XXI?
“Vai dar trabalho reverter esta realidade. A imprensa terá que assumir sua parcela de responsabilidade e participar nesse processo de reeducação hercúlea. Só que agora, os jornalistas terão que estudar e consultar diversos pesquisadores pois o caracol africano, ainda hoje, instiga diferentes opiniões no meio científico. Não sou partidário da introdução de espécies exóticas no país, mas considero que a exploração do potencial do A. fulica será a única forma de controlar a sua população, a exemplo da China, tendo convicção que esta espécie poderá contribuir para minimizar a fome e as morte por desnutrição no Brasil pois detém todas as qualidades necessárias para esta empreitada, mas para isso, o IBAMA deverá reavaliar, corajosamente, a sua posição e discutir a questão com a necessária maturidade. “ (AQUINO, 2010)
Agora, eu tenho uma idéia real, do quanto nossa malacofauna está realmente ameaçada pela histeria coletiva. Mas como o abate da fauna nativa é crime, eu pergunto: e agora IBAMA?
"
Leia o artigo completo em: http://smtpilimitado.com/kennel/caracol9.pdf

Referência:

Sitio de Bram Caracol. Orthalicus. Disponível em: Acesso em: 19/08/2011

Sunday, August 14, 2011

CARACOL AFRICANO NA UOL



Visite: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/08/14/proibicao-de-criatorios-causou-proliferacao-de-caramujos-africanos-no-brasil-diz-pesquisador.jhtm#comentarios

Saturday, August 13, 2011

UFAL DIVULGA MATÉRIA SOBRE CARACOL AFRICANO



visite o link: http://www.ufal.edu.br/ufal/noticias/2011/08/caramujos-africanos-podem-ser-utilizados-na-producao-do-etanol

Friday, August 12, 2011

CIÊNCIA E PRECONCEITO publicado no jornal A GAZETA DE ALAGOAS


Por Mauricio Carneiro Aquino MV.
Mestrando em Ciências da Saúde, UFAL
Orientando da Dra. Marília Goulart
projeto@caramujoafricano.com
www.caramujoafricano.com


A anemia afeta o crescimento e o desenvolvimento físico e mental das crianças, acarretando sonolência, diminuição da atenção, da acuidade mental e da capacidade de fixação, o que leva ao comprometimento do rendimento escolar e em casos extremos, a morte.
Aparentemente, apesar de todo marketing social da máquina governamental, de acordo com o Ministério da Saúde, a mortalidade por carência ferropriva no país, vem aumentando nos últimos anos. Percebam que eu estou me referindo, exclusivamente, as mortes declaradas por anemia por carência de ferro, no entanto, não podemos nos esquecer que existem mortes não informadas e/ou incorretamente diagnosticadas que contribuem para o enxugamento dos dados acima.

Dados divulgados recentemente “alertam sobre a incidência de casos de anemia em crianças de todo o Brasil, principalmente na região nordeste do país. Os números revelam que 82,7% das crianças com idade entre onze e treze meses de idade [...] apresentam quadro de anemia, um dos problemas nutricionais mais presentes em todo o mundo. [...] Entre os principais fatores que contribuem para a diminuição da doença estão o aleitamento materno, exclusivo até os seis meses de vida, implantação de programas de saneamento básico, erradicação de doenças infecciosas e parasitárias e maior ingestão de alimentos enriquecidos com ferro como farinhas de trigo, leite e demais alimentos infantis’, conta a especialista.” (NORDESTETUDOTEM.COM, p.1, 2011)
No Brasil e nos países em desenvolvimento em geral, a anemia causada pela carência de ferro na alimentação é mais comum em crianças e mulheres. Esta anemia, agravada por doenças como a malária, contribui para 1/5 das mortes maternas em todo o planeta, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Na expectativa de minimizar esses índices, o pesquisador africano, [...] Pa Tamba Ngom, do programa de nutrição médica da Gâmbia Research Council, publicou um artigo interessante, declarando que a carne de caracol é rica em ferro e tem figurado na dieta dos países asiáticos e do povo africano que vive em regiões florestais há milhares de anos, colaborando, dessa forma, para minimizar os efeitos deste tipo de anemia. “No oeste africano, no Senegal e Gambia, o caracol é muito popular e é o principal ingrediente do Benachin, um prato típico, uma espécie de risoto’.“ (AHEL, 2010, p.1)
O valor calórico por 100 gr de carne de caracol varia entre 60-80 Kcal. Os caracóis são compostos por água (70-85%), sendo pobres em gordura (0,3-0,8%) e com um teor protéico entre 13 e 15%. É rica em minerais, sobretudo em Cálcio, Ferro, Magnésio, Cobre e Zinco.
Ahel (2010, p.1) cita que Ukpong Udofia, nutricionista da Universidade de Uyo, também analisou o valor nutricional da carne de caracol e concluiu que “ela tem um alto teor de ferro e proteínas [...] além de conter muitos nutrientes essenciais, como cálcio, magnésio e vitamina A. [...] Udofia testou o sabor e aceitação dos caracóis solicitando a opinião de um grupo de mães e crianças em idade escolar, que opinaram entre uma torta feita de caracóis e outra, de carne. A maioria preferiu a aparência, a textura e o sabor da torta de caracóis.”
Afirmar, simplesmente, que não existe o hábito de comer caracóis no Brasil não é uma verdade absoluta. Em Alagoas, onde resido, há relatos de comunidades ribeirinhas no São Francisco que se utilizam do Pomacea como alimento; um caramujo de água doce mais conhecido pelo nome de Aruá. Este hábito também é compartilhado em São Luiz do Quitunde, no interior do estado, pela fazendeira Dona Jurancirce, onde o Aruá é apreciado como uma iguaria nos dias de festa. A receita tradicional foi herdada pela mãe de sua cozinheira, nativa, que prepara os caramujos à moda da tradicional moqueca ao leite de coco e o seu sabor e textura, de acordo com Jurandirce é semelhante ao do sururu, uma espécie de marisco muito consumido no estado, principalmente, no litoral.
Apesar dos benefícios significativos dos caracóis para a alimentação humana, há pelo menos 20 anos, a imprensa brasileira vem profetizando afirmações de técnicos pessimistas afirmando que o caracol africano produziria epidemias com grande mortalidade junto à população humana; que arrasaria plantações de interesse comercial trazendo a fome além de grandes prejuízos econômicos ao campo e seria responsável pela extinção de espécies da flora e fauna nativas brasileiras. Previsões alarmistas que não se concretizaram, mas que estão gerando muitos prejuízos aos caracóis e lesmas nativas que viraram alvo de agressões gratuitas da população mal informada. Por conta disso, atualmente, o Megalobulimus, o maior caracol brasileiro, entrou para a lista das espécies ameaçadas de extinção.
A verdade é que essa campanha nefasta contra o Caracol Africano (Achatina fulica) e o desrespeito à população brasileira, que encontrou na imprensa, a mais nova fonte de terrorismo jornalístico, praticamente se sustenta através da divulgação de informações inverídicas ou exageradas sobre o risco da transmissão dois parasitos, o Angiostrongylus cantonensis, causador da Meningite Eosinofílica e o A. costaricensis, causador da Angiostrongilíase Abdominal, enfermidade transmitida, preferencialmente, pelas lesmas nativas da família Veronicellidae, o principal hospedeiro intermediário da Angiostrongilíase Abdominal no Brasil. Só para se ter uma idéia, nunca houve um único caso, até o momento, de Angiostrogilíase Abdominal associada à transmissão pelo Caracol Africano no país.
Não há como negar a remota possibilidade da transmissão doAngiostrongilus cantonensis, um parasito de ratos que utiliza o Caracol Africano com hospedeiro intermediário e que, sob condições muito especiais, como quando ingerido cru ou mal cozido pode produzir, quando parasitado, a Meningite Eosinofílica. Mas de acordo com Neuhass (2007), autor de pesquisas sobre o tema, o Caracol Africano, o Achatina fulica não deve inspirar grande “preocupação sobre a possibilidade de transmissão do Angiostrongylus spp. Dados de animais coletados na Ilha de Santa Catarina estão em conformidade com os dados experimentais: a infecção com larvas de metastrongilídeos não parece ser um problema significativo em populações naturais do caramujo gigante.”
Isso significa dizer que o risco que corremos em contrair a Meningite eosinofílica, através do Achatina fulica é insignificante do ponto de vista estatístico, já que foram associados a ele, apenas, dois óbitos em 23 anos em todo o território nacional.
A Esquistossomose, uma grave doença transmitida por caramujos do gênero Biomphalaria, nativos do Brasil, é responsabilizada pelo óbito, no mesmo período de 23 anos, de “14.463” brasileiros, de acordo com Ferreira (2010, p.69), significando que, para cada caso confirmado de óbito por Meningite Eosinofílica transmitida pelo Achatina fulica no Brasil, temos 7231 óbitos por “barriga d’água”. E não vejo nos jornais uma só palavra contra essa espécie brasileira.
Outro exemplo relaciona-se à Cisticertose, uma doença transmita por um parasito presente na carne de porco que, tradicionalmente, consumimos a gerações e que, apenas em 2008, foi responsável, de acordo com o Datasus, por 94 óbitos. O mais curioso, repito, é ver que a imprensa não divulga esses dados, preferindo fazer sensacionalismo para atrair a atenção do público e vender jornais instaurando o terror contra o caracol africano que, até hoje, causou prejuízos infinitamente menores à saúde humana e poderá, se permitirem, trazer muitos benefícios, especialmente, no aspecto nutricional e farmacológico, pois além de rico em nutrientes e sais minerais, possui propriedades medicinais que vem sendo descobertas até para o tratamento de tumores malignos.
O caracol africano, de uma maneira geral, não difere muito dos demais caracóis, exceto pela sua precocidade, alta taxa reprodutiva, grande rusticidade e sua alta resistência as doenças, no entanto, apesar dessas excelentes qualidades, sua criação foi proibida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, contrariando o parecer favorável da Comissão de alto nível que em 2002, definiu sua criação “como social e economicamente viável desde que conduzida segundo as diretrizes propostas de modo a não agredir o meio ambiente e preservar a saúde pública.” (LOBÃO, p.42, 2002).
No entanto, o aproveitamento do caracol asselvajado para alimentação deve ser estimulado como complemento alimentar, contribuindo para minimizar as estatísticas de morte por anemia ferropriva e para o controle populacional dessa espécie exótica na natureza.
A ciência deveria ser utilizada para a obtenção de conhecimentos, para a busca por explicações corretas, honestas e socialmente compartilhadas. Mas isso nem sempre acontece. Os argumentos que venho utilizando em meus informativos para justificar o aproveitamento racional desta espécie invasora como forma para combatê-la são baseados em pesquisas científicas nacionais, que expressam as conclusões de pesquisadores sérios, mas que, apesar de sua objetividade, não conseguem influenciar o pensamento científico de alguns especialistas. Mas a verdade é que contra fatos não existe argumentos.
O Caracol Africano já se naturalizou brasileiro, pois desde a sua introdução criminosa, há 23 anos, está presente em todos os estados brasileiros, exceto, Roraima. Isto é um fato. Durante esse tempo é responsabilizado por apenas dois óbitos por meningite eosinofílica, um caso em Vitória e outro em Recife que, embora trágico do ponto de vista humanístico não é significativo do ponto de vista estatístico.
A espécie possui uma grande aptidão zootécnica, que pode ser utilizada como uma fonte barata e abundante de nutrientes de alta qualidade e ainda é promissora do ponto de vista farmacológico, inspirando o desenvolvimento de experimentos exitosos até contra o câncer. Mas acredito que o preconceito sobre o tema tem impedido o livre pensamento científico e quem perde, mais uma vez, é a sociedade.
A “praga” é uma realidade irreversível. Olhar para o outro lado sem encarar o problema de frente, não é uma opção, muito pelo contrário. Para controlar essa espécie invasora e extremamente prolífera, que se multiplica mais rápido que o empenho dos funcionários dos centros de zoonoses em todo o país em controlá-la; temos que sugerir formas práticas de aproveitamento, para gerar benefícios reais e ao mesmo tempo, promover o seu controle no ambiente.
Minhas sugestões para o aproveitamento racional dos caracóis africanos no país parecem indignar algumas pessoas, mas afirmações tais como: "o seu aproveitamento irá agravar a situação atual", no meu entender, não é ciência, é premunição e, como tal, deveria no mínimo, estar baseada em experiências práticas, o que é impossível, porque nada parecido ainda foi tentado intencionalmente.

Referência:

*NORDESTETUDOTEM.COM. Anemia infantil ainda é uma ameaça no Brasil. Disponível em: Acesso em: 08/03/2011
*AHEL, Wagdy Saw. Snails provide a tasty source of iron, study finds. Disponível em: Acesso em: 21/12/2010
*DNCIÊNCIA. Caracóis são ricos em proteínas e alimento nutritivo. Disponível em: Acesso em 11/05/2011
*LOBÃO, Vera Lúcia (Coord.). Comissão interinstitucional para o ordenamento e a normatização da criação da espécie exótica Achatina fulica. São Paulo, SP: Instituto de Pesca, Volume 2, 46 p. Março de 2002.
*NUTRIÇÃO GLOBAL. Caracóis, quebrando tabus alimentares. Disponível em: Acesso em: 11/05/2011
*NEUHAUSS, Erli; FITARELLI, Monaliza; ROMANZINI, Juliano; GRAEFFE-TEIXEIRA, Carlos. Low susceptibility of Achatina fulica from Brazil to infection with Angiostrongylus costaricensis e A. Cantonensis. Disponível em: Acesso em: 15/05/2011.

Publicado no Jornal A GAZETA DE ALAGOAS
AQUINO, M. C. 2011. Ciência e Preconceito – Artigo. Jornal “Gazeta de Alagoas”, Maceió, Sábado 06/08/2011, Caderno SABER. Disponível em: http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/lista_cadernos.php?cod=187126&ass=57&data=2011-08-06



Thursday, August 4, 2011

CARACÓIS GIGANTES INVADEM O ESTADO DE KERALA, NA ÍNDIA.


No último dia 28/07, a edição online do jornal nacional indiano, o The Hindu, publicou que cientistas do Instituto de Pesquisa Florestal de Kerala (KFRI), um estado situado no extremo sudoeste da Índia, estão fazendo previsões com um mínimo de 70% de acertos, sobre a possibilidade do Caracol Africano (Achatina fulica) ocupar e se estabelecer em novos territórios, anteriormente, livres da espécie.
De acordo com o especialista T.V. Sajeev, que lidera a equipe do KFRI, este modelo foi elaborado a partir de 20 parâmetros, que vão desde a observação das marés, das temperaturas médias, até as precipitações pluviométrica anuais regionais. A espécie exótica já foi listada como uma das "100 piores invasoras do Mundo".
Os caracóis africanos que vivem até seis anos em condições favoráveis, alimentam-se mais de 500 diferentes espécies vegetais, incluindo plantas economicamente importantes, como o cacau, mamão, amendoim, borracha e diversas variedades de feijões, ervilhas, pepinos, melões, liquens, algas e fungos. 
“As atuais infestações na Índia vêm ocorrendo em áreas de intensa ocupação humana, especialmente em lixões e terrenos alagadiços, que são os seus locais favoritos”, comenta o Dr. Sajeev.
Especialistas indianos vêm recomendando a utilização de venenos, entre eles, o Arseniato de Cálcio e o Metaldeído, em áreas de alta infestação. No entanto, curiosamente, eles desestimulam o uso do sal, devido as alterações o pH do solo. De acordo com os pesquisadores, a carne do molusco, morto com o sal, exala um cheio intenso e desagradável.
Em minha opinião, o uso de venenos deve ser abolido, pois além de constituir num grande risco para a flora e fauna, para o lençol freático e o meio ambiente como um todo, constitui-se num enorme risco para crianças, especialmente, em áreas de grande densidade populacional, como é o caso.
O desenvolvimento de pesquisas visando a exploração do enorme potencial zootécnico desta espécie para fins nutricionais e farmacológicos deve ser o principal enfoque para o controle das infestações no ambiente natural que, graças ao próprio homem, estão em avançado estado de degradação e desequilíbrio.
O caracol africano, que já deveríamos estar chamando de "brasileiro" não deve ser encarado como um problema, mas como uma benção! ☼

Tuesday, July 12, 2011

CARACÓIS MINÚSCULOS PODEM SOBREVIVER ILESOS AO TRATO DIGESTIVO DE PÁSSAROS


Uma descoberta impressionante, caracóis minúsculos são capazes de sobreviver após serem comidos por um pássaro, o Mejiro, da ilha de Hahajima, no Japão, que se alimenta de caracóis.
Os pesquisadores descobriram que 15% dos caracóis ingeridos sobreviveram a digestão e foram encontrados vivos nas fezes das aves.
Esta evidência sugere que a predação de aves pode ser um fator fundamental na forma como as populações de caracol se espalham.
A dispersão de semente por aves frugívoras já é bem conhecida, mas a capacidade de dispersar invertebrados é uma novidade, descoberta por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão e publicada no Journal of Biogeografhy.
Pesquisas anteriores demostraram que os caracóis aquáticos podem sobreviver após a ingestão por peixes, mas o mesmo não era conhecido para caracóis terrestres.
Estudos das dietas de aves na ilha de Hahajima, especialmente, do pássaro Mejiro, identificou caracóis da espécie Tornatellides boeningi.
No laboratório os cientistas alimentaram essas aves com os caracóis e descobriram que alguns sobreviveram ao processo digestivo.
"Ficamos surpresos de que uma taxa elevada, cerca de 20 por cento de caracóis ainda estavam vivos após a passagem pelo intestino das aves", explicou o pesquisador Shinichiro Wada. [...] Este é o primeiro estudo que demostra que as aves podem transportar micro caracóis terrestres em seu intestino vivo “disse Shinichiro Wada, da Universidade de Tohoku.

"Um dos caracóis alimentados pelo pássaro deu à luz a filhotes após passar através do seu intestino", disse o Dr. Wada à BBC.
O principal fator que permitiu aos caracóis sobreviverem à ingestão é seu pequeno tamanho (2.5 mm), de acordo com os cientistas. Caracóis maiores são severamente danificados quando ingeridos.

Dr. Wada e seus colegas disseram que outros estudos serão necessários para descobrir se os minúsculos caracóis têm outras adaptações que lhes permitam sobreviver.
As ilhas foram recentemente adicionados à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO "pela riqueza dos seus ecossistemas, que refletem uma ampla gama de processos evolutivos".
Aí está um outra novidade.
Fonte: DAVIES, Ella. Tiny snails survive digestion by bird. Disponível em: < http://www.bbc.co.uk/nature/14048754> Acesso em: 12/07/2011

Saturday, July 9, 2011

CARACÓIS AFRICANOS PODEM VIRAR ETANOL DE SEGUNDA GERAÇÃO


"Em Feira de Santana, na Bahia, eles se transformaram no pesadelo dos produtores rurais. No Oeste de São Paulo, viraram peste de lavoura e até de ruas, e em Minas Gerais, tornaram-se pragas da pior espécie para diversas culturas. Os caramujos africanos invadiram quase todas as áreas agrícolas brasileiras, em todas as regiões, e transformaram-se em uma verdadeira enxaqueca para o agronegócio. Antes de ser um mal para a saúde pública, estes molucos possuem grande poder de provocar desequilíbrio ecológico.
Mas agora, pesquisadores concluíram que esta praga rastejante pode ser benéfica e ter grande utilidade como coadjuvante na produção de etanol de segunda geração, como é chamado o álcool obtido a partir de celulose.
Os estudos com o caramujo africano foram concluídos recentemente pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e apontam que o aparelho digestivo do bicho, que é um devorador voraz de plantas (este é exatamente o estrago que ele faz nas lavouras e consequentemente, para o meio ambiente), tem enzimas, bactérias e fungos capazes de quebrar moléculas de celulose, resultando na produção de açúcares. Segundo os pesquisadores, várias outras pragas devoradoras de vegetais foram estudadas, mas só o caramujo africano apresentou esta capacidade.
O processo de transformação de plantas em açúcares dentro do organismo do caramujo seria semelhante ao processo realizado na usina. Depois de ingerir o alimento, as bactérias e os fungos que vivem no seu intestino agem conjuntamente com as enzimas e transformam a celulose, rica em lignina, em açúcares. O trato digestivo destes animais (biomassa de molusco) seria comparado ao bagaço que sobra nas usinas, mas com qualidade superior ao fungo trichoderma reesei (organismo atualmente utilizado para fermentar a celulose do bagaço no processo convencional). De acordo com o Inmetro, a biomassa do caramujo poderia passar pelo processo convencional de fermentação para ser transformada em etanol de segunda geração.
Mas as pesquisas e o uso comercial dos caramujos ainda podem estar longe de serem efetivados. De acordo com o pesquisador Wanderley de Souza, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda seria necessário encontrar um meio de isolar estes fungos, bactérias e enzimas e fazê-los crescer fora do organismo do caramujo. Segundo Souza, se esta alternativa for logo encontrada e tornar-se economicamente viável, seria possível dobrar a quantidade de etanol de segunda geração produzida no Brasil em um prazo de dois anos, com a mesma área plantada.
Por ser um processo moroso, as usinas queimam o bagaço que sobra da moagem da cana para gerar bioeletricidade e alimentar as instalações internas e exportar o excedente para as redes públicas, através de leilões.
A fabricação do etanol de segunda geração ainda é um gargalo para o setor, já que transformar o bagaço em monossacarídeo é difícil e exige grandes quantidades de tratamentos enzimáticos e ácidos. "A lignina presente nas paredes celulósicas da biomassa são quebradas com dificuldade, o que não aconteceu no intestino do caramujo", explica Souza.
Agora, o Inmetro vai testar e dar continuidade aos testes no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Migues de Mello, o Cenpes, órgão da Petrobras. Isso inclui gerar um fungo modificado geneticamente para acelerar o crescimento das enzimas do intestino dos caramujos fora do organismo deles. " (CRMV, 2011)

Fonte:
PORTAL DO CFMV. Caracóis africanos podem virar etanol de segunda geração. Disponível em: Acesso em:08/07/2011